Avanço da Covid-19 nos povos indígenas

16 de junho de 2020

A infestação pela Covid-19 já gerou consequências para todo o continente, causando problema de saúde pública. O Brasil já sofre consequências desse processo, que inclusive começou atingir populações indígenas isoladas.

Esses povos, que sofrem os efeitos dessa pandemia, podem ter seu risco aumentado por diversos fatores:

  • Dificuldades de locomoção;
  • Territórios isolados;
  • Falta de atendimento médico;
  • Afastamento do perímetro urbano.

No dia 02 de abril foi confirmada, em Alter do Chão (PA), a morte da primeira indígena vítima do novo coronavírus. Era uma senhora de idade avançada, 87 anos, da etnia Borari. Além disso, outra jovem também testou positivo para o novo coronavírus e está isolada em Santo Antônio do Içá (AM).

Desse modo, a fim de conter o avanço do vírus nas aldeias indígenas, o Instituto Socioambiental (ISA) divulgou, na sexta-feira (3 de abril), uma plataforma online e participativa que acompanha o progresso do Sars-Cov-2 em regiões próximas a terras indígenas.

Também por meio do site é possível acessar o avanço dessa doença nas diversas regiões do Brasil e localizar os vários postos de atendimento para casos suspeitos.

Além disso, nesse site, encontra-se informações acerca do número de pessoas infectadas pelo vírus, o número de habitantes das comunidades indígenas e o valor da taxa de mortalidade naquela região. Ademais, é possível consultar o número de leitos, respiradores e médicos em todo o território brasileiro.

A maior preocupação das comunidades indígenas é de que o vírus se dissemine na região, uma vez que costumam morar em locais compartilhados por várias tribos. Outro fator é que as aldeias têm carência de itens essenciais de prevenção, tais como:

  • Álcool;
  • Sabão;
  • Máscaras;
  • Luvas;
  • Desinfetantes e produtos de limpeza em geral.

Com isso, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) proibiu a circulação entre as cidades e aldeias. O acesso de não indígenas nessas regiões só será permitido quando destinado ao transporte de itens de alimentação, saúde e higiene.

Os povos indígenas que estavam fora das aldeias, quando começaram a surgir os primeiros casos da doença, foram alertados de permanecer nas cidades por um período de quarentena. Essas medidas têm o objetivo de evitar a proliferação da Covid-19 nas comunidades indígenas.

Por outro, as lideranças indígenas denunciaram que a presença de garimpeiros na região torna a situação mais alarmante. Indígenas Karipuna notaram a presença de quatro invasores devastando uma área da floresta, na Aldeia Panorama, em Rondônia. Também foi possível ouvir ruídos de máquinas e motosserras.

Diante desse cenário, e preocupados com o avanço da doença, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil a fim de apurar a morte da senhora de 87 anos, em Alter Chão, no Pará. Foi confirmado pela Secretaria de Saúde do estado (Sespa) que os testes laboratoriais identificaram a causa da morte por conta do novo coronavírus.

Assim , o MPF deu o prazo de 24 horas para  a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) esclarecerem acerca da morte, os mecanismos adotados pelo Município, os fatos que levaram as famílias a não serem previamente alertadas e as medidas adotadas a fim de conter o avanço da doença.

O que é coronavírus? (COVID-19)

O coronavírus é pertencente a uma família virótica que tem como consequência o surgimento de doenças respiratórias. O novo agente causador da doença foi descoberto em 31/12/19, na China, após o surgimento de casos.

Esse vírus provoca a doença chamada coronavírus (COVID-19). Os primeiros casos, decorrentes desse vírus, foram isolados em 1937. Contudo, somente em 1965 é que foi denominado como coronavírus. Essa denominação resulta do fato de que, através de observação no microscópio, o vírus se assemelha a uma coroa, daí o nome corona.

Como se prevenir?

A COVID-19 tem gerado grande preocupação à população mundial, visto que, ainda, não se conhece perfeitamente seus sintomas, pioras e formas de transmissão. No Brasil, o primeiro caso foi registrado no dia 26 de fevereiro e, depois disso, o avanço da doença tem assolado todos os estados.

Com isso, a Organização Mundial de Saúde e a Sociedade Brasileira de Infectologia recomendaram várias medidas a fim de conter a disseminação da doença:

  • Lave as mãos com água e sabão ou use álcool em gel;
  • Cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir;
  • Evite aglomerações se estiver doente;
  • Mantenha os ambientes bem ventilados;
  • Não compartilhe objetos pessoais.

Quais são os sintomas da Covid-19?

Como é sabido, o novo coronavírus causa infecções respiratórias que podem levar a óbito. Isso vai depender de fatores como idade, presença de outras doenças crônicas e imunidade.

Os principais sintomas são:

  • Dor de cabeça;
  • Tontura e dor no peito;
  • Coriza;
  • Mal-estar;
  • Problemas intestinais;
  • Dores musculares e calafrios;
  • Náusea;
  • Conjuntivite;
  • Tosse seca;
  • Dificuldade respiratória;
  • Febre alta;
  • Perda do paladar, entre outros.

Além disso, cientistas da Escola de Saúde Pública do Hospital Johns Hopkins (EUA) notaram que as pessoas levam cerca de 5 dias para apresentar as primeiras manifestações dos sintomas após contrair a doença. Contudo, existem casos em que a doença pode permanecer latente por um período de até duas semanas após o contato.

Outro fator alarmante é que algumas pessoas podem contrair o vírus e não apresentar nenhum sintoma, mas nem por isso deixam de transmitir a doença. É claro que pessoas com sintomas evidentes tendem a ter uma carga viral maior, no entanto isso não impede que pessoas assintomáticas não espalhem o vírus.

A título de exemplo, crianças e adolescentes costumam ser assintomáticos, mas potenciais transmissores da doença. Dificilmente, crianças e adolescentes necessitarão de internação em decorrência da COVID-19. Por outro lado, idosos e pessoas com doenças crônicas estão no grupo de risco e merecem mais atenção.

O aparecimento isolado de um ou outro sintoma não é suficiente para indicar a contaminação pelo novo coronavírus, uma vez que existem diversas doenças adjacentes com sintomas semelhantes.

Entretanto, caso exista alguma dúvida em relação à contaminação, o ideal é que busque auxílio médico, preferencialmente através da telemedicina. O deslocamento ao hospital sem necessidade pode ser fator contributivo para contrair a doença, visto que esses ambientes tendem a apresentar maior número de pessoas contaminadas.

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