A infestação pela Covid-19 já gerou consequências para todo o continente, causando problema de saúde pública. O Brasil já sofre consequências desse processo, que inclusive começou atingir populações indígenas isoladas.
Esses povos, que sofrem os efeitos dessa pandemia, podem ter seu risco aumentado por diversos fatores:
- Dificuldades de locomoção;
- Territórios isolados;
- Falta de atendimento médico;
- Afastamento do perímetro urbano.
No dia 02 de abril foi confirmada, em Alter do Chão (PA), a morte da primeira indígena vítima do novo coronavírus. Era uma senhora de idade avançada, 87 anos, da etnia Borari. Além disso, outra jovem também testou positivo para o novo coronavírus e está isolada em Santo Antônio do Içá (AM).

Desse modo, a fim de conter o avanço do vírus nas aldeias indígenas, o Instituto Socioambiental (ISA) divulgou, na sexta-feira (3 de abril), uma plataforma online e participativa que acompanha o progresso do Sars-Cov-2 em regiões próximas a terras indígenas.
Também por meio do site é possível acessar o avanço dessa doença nas diversas regiões do Brasil e localizar os vários postos de atendimento para casos suspeitos.
Além disso, nesse site, encontra-se informações acerca do número de pessoas infectadas pelo vírus, o número de habitantes das comunidades indígenas e o valor da taxa de mortalidade naquela região. Ademais, é possível consultar o número de leitos, respiradores e médicos em todo o território brasileiro.
A maior preocupação das comunidades indígenas é de que o vírus se dissemine na região, uma vez que costumam morar em locais compartilhados por várias tribos. Outro fator é que as aldeias têm carência de itens essenciais de prevenção, tais como:
- Álcool;
- Sabão;
- Máscaras;
- Luvas;
- Desinfetantes e produtos de limpeza em geral.
Com isso, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) proibiu a circulação entre as cidades e aldeias. O acesso de não indígenas nessas regiões só será permitido quando destinado ao transporte de itens de alimentação, saúde e higiene.
Os povos indígenas que estavam fora das aldeias, quando começaram a surgir os primeiros casos da doença, foram alertados de permanecer nas cidades por um período de quarentena. Essas medidas têm o objetivo de evitar a proliferação da Covid-19 nas comunidades indígenas.
Por outro, as lideranças indígenas denunciaram que a presença de garimpeiros na região torna a situação mais alarmante. Indígenas Karipuna notaram a presença de quatro invasores devastando uma área da floresta, na Aldeia Panorama, em Rondônia. Também foi possível ouvir ruídos de máquinas e motosserras.
Diante desse cenário, e preocupados com o avanço da doença, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil a fim de apurar a morte da senhora de 87 anos, em Alter Chão, no Pará. Foi confirmado pela Secretaria de Saúde do estado (Sespa) que os testes laboratoriais identificaram a causa da morte por conta do novo coronavírus.
Assim , o MPF deu o prazo de 24 horas para a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) esclarecerem acerca da morte, os mecanismos adotados pelo Município, os fatos que levaram as famílias a não serem previamente alertadas e as medidas adotadas a fim de conter o avanço da doença.
O que é coronavírus? (COVID-19)
O coronavírus é pertencente a uma família virótica que tem como consequência o surgimento de doenças respiratórias. O novo agente causador da doença foi descoberto em 31/12/19, na China, após o surgimento de casos.

Esse vírus provoca a doença chamada coronavírus (COVID-19). Os primeiros casos, decorrentes desse vírus, foram isolados em 1937. Contudo, somente em 1965 é que foi denominado como coronavírus. Essa denominação resulta do fato de que, através de observação no microscópio, o vírus se assemelha a uma coroa, daí o nome corona.
Como se prevenir?
A COVID-19 tem gerado grande preocupação à população mundial, visto que, ainda, não se conhece perfeitamente seus sintomas, pioras e formas de transmissão. No Brasil, o primeiro caso foi registrado no dia 26 de fevereiro e, depois disso, o avanço da doença tem assolado todos os estados.
Com isso, a Organização Mundial de Saúde e a Sociedade Brasileira de Infectologia recomendaram várias medidas a fim de conter a disseminação da doença:
- Lave as mãos com água e sabão ou use álcool em gel;
- Cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir;
- Evite aglomerações se estiver doente;
- Mantenha os ambientes bem ventilados;
- Não compartilhe objetos pessoais.
Quais são os sintomas da Covid-19?
Como é sabido, o novo coronavírus causa infecções respiratórias que podem levar a óbito. Isso vai depender de fatores como idade, presença de outras doenças crônicas e imunidade.
Os principais sintomas são:
- Dor de cabeça;
- Tontura e dor no peito;
- Coriza;
- Mal-estar;
- Problemas intestinais;
- Dores musculares e calafrios;
- Náusea;
- Conjuntivite;
- Tosse seca;
- Dificuldade respiratória;
- Febre alta;
- Perda do paladar, entre outros.
Além disso, cientistas da Escola de Saúde Pública do Hospital Johns Hopkins (EUA) notaram que as pessoas levam cerca de 5 dias para apresentar as primeiras manifestações dos sintomas após contrair a doença. Contudo, existem casos em que a doença pode permanecer latente por um período de até duas semanas após o contato.
Outro fator alarmante é que algumas pessoas podem contrair o vírus e não apresentar nenhum sintoma, mas nem por isso deixam de transmitir a doença. É claro que pessoas com sintomas evidentes tendem a ter uma carga viral maior, no entanto isso não impede que pessoas assintomáticas não espalhem o vírus.
A título de exemplo, crianças e adolescentes costumam ser assintomáticos, mas potenciais transmissores da doença. Dificilmente, crianças e adolescentes necessitarão de internação em decorrência da COVID-19. Por outro lado, idosos e pessoas com doenças crônicas estão no grupo de risco e merecem mais atenção.
O aparecimento isolado de um ou outro sintoma não é suficiente para indicar a contaminação pelo novo coronavírus, uma vez que existem diversas doenças adjacentes com sintomas semelhantes.
Entretanto, caso exista alguma dúvida em relação à contaminação, o ideal é que busque auxílio médico, preferencialmente através da telemedicina. O deslocamento ao hospital sem necessidade pode ser fator contributivo para contrair a doença, visto que esses ambientes tendem a apresentar maior número de pessoas contaminadas.